O consenso entre os 27 quanto ao plano europeu de combate às alterações climáticas está longe de ser alcançado. Um grupo de dez países, entre os quais a Alemanha e a Itália, acabam de contestar as linhas da estratégia de Bruxelas, que poderá estar em risco de não ser aprovado nos prazos previamente definidos por quer liderar o debate ao nível mundial. Mesmo assim, foi assumido o objectivo de se alcançar um acordo até Dezembro, altura em que arranca a conferência das Nações Unidas e onde será apresentada uma posição definida e clara na perspectiva das negociações internacionais que arrancarão em 2009 para a renovação do acordo mundial de protecção do clima – o Protocolo de Quioto – depois de 2012. Oficialmente, mantêm-se os objectivos definidos há um ano dos 20-20-20: reduzir as emissões de CO2 em 20% até 2020 face aos valores de 1990, aumentar as energias renováveis para 20% de total e melhorar a eficiência energética em 20%. A Itália e a Polónia já ameaçaram com o veto, com os italianos a defenderem uma alteração profunda na legislação proposta. Contra estão ainda a República Checa, Hungria, Estónia, Lituânia, Malta e Chipre, embora não tenham extremado tanto as posições. Mas é a Alemanha, apoiada pela Áustria, que se tem mostrado com um dos países mais críticos. Tudo porque de acordo com as propostas legislativas apresentadas, Bruxelas quer que partir de 2013 as indústrias pesadas da UE passem a comprar em leilão as licenças de emissão de CO2. O objectivo é reduzir este tipo de poluição em 21% em 2020 face aos valores de 2005. E, em paralelo, os países comunitários deverão reduzir conjuntamente 10% das emissões dos sectores excluídos do sistema de comércio de emissões – transportes, agricultura, aquecimento. A Alemanha quer a exclusão de uma série de sectores – aço, química, cimento, cal – do mecanismo do leilão, para preservar a sua competitividade internacional. E exigem aqui a atribuição de licenças de emissão gratuitas. A pouco mais de um mês da conferência, que arranca a 1 de Dezembro, em Posnan, na Polónia, a UE arrisca-se a aparecer sem um consenso.
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