• Sobre o blog APDC

    Este blog está na base de um projecto multiplataforma que a nova direcção da APDC está a implementar. O objectivo é tirar partido de todas as ferramentas tecnológicas e contribuir para o debate, estudo e divulgação dos temas que verdadeiramente interessam aos protagonistas das Tecnologias de Informação e Comunicação. Trata-se de um espaço de intercâmbio de ideias está aberto e ao dispor de todos os interessados que queiram debater todas as questões que envolvam directa ou indirectamente as TIC e a promoção da Sociedade de Informação e do Conhecimento em Portugal.
  • CONTRIBUIDORES

Google ajuda a reduzir consumo energético

O Google desenvolveu o PowerMeter, uma aplicação que tem por objectivo ajudar as pessoas a controlar os consumos energéticos dos seus lares. Tudo com a ajuda de um simples computador pessoal. A aplicação, que de resto já está a ser testada pelos funcionários da empresa, pretende ser um veículo de promoção ambiental e de comportamentos que contribuam para a luta contra o aquecimento global. O PowerMeter faz parte de uma estratégia mais abrangente do Google de investimento em energias renováveis e de redução da emissão de gases com efeito estufa. Mas é acima de tudo uma ferramenta através da qual os utilizadores poderão acompanhar em tempo quase real o consumo de energia das suas casas. Estudos referidos pela empresa demonstram que a informação gerada por este tipo de aplicações pode contribuir para uma redução da factura da luz entre 5% a 15% por mês.

Obama quer mais energias renováveis


O plano de estimulo à economia delineado pelo presidente eleito Barack Obama deverá incluir um pacote de incentivos fiscais na área energética da ordem dos 25 mil milhões de dólares (cerca de 18,5 mil milhões de euros). Obama está a rever partes do seu plano de estímulos e tudo aponta para que o aumento do pacote para a energia seja um dos pontos com alterações “significativas”. O objectivo é reduzir a dependência do petróleo – um dos pontos fortes do plano – através de uma aposta massiva nas energias renováveis. Antecipa-se que sejam concedidos créditos fiscais aos produtores de energias renováveis num total de 8,6 mil milhões de dólares (6,38 mil milhões de euros), até porque os produtores de energia eólica e solar nos Estados Unidos, na sua grande maioria, ainda não são rentáveis e devem ter incentivos ao aumento da produção.

Telemóveis mais “verdes”

As preocupações em torno da sustentabilidade ambiental estão a chegar em força ao mundo das comunicações. A Motorola acaba de anunciar um novo telemóvel, o Moto W233 Renew, fabricado a partir de plástico de garrafas de água reciclado. É um equipamento totalmente reciclável e a fabricante garante que é neutro nas emissões de carbono. Até ao nível do packaging, a fabricante norte-americana é amiga do ambiente, já que utiliza uma embalagem de material reciclado que contém ainda um envelope para que o cliente possa aí colocar o seu velho terminal e enviá-lo à companhia, sem custos. Nesta estratégia “verde”, a Motorola realizou uma parceria com a Carbonfund para garantir a conversão de todos os efeitos nocivos para o ambiente, relacionados com o fabrico, distribuição e utilização do telefone em investimentos ambientais, como nas energias renováveis e reflorestação. A nova proposta será apresentada na CES e será a T-Mobile o primeiro operador a lançar o telemóvel nos Estados Unidos, ainda no primeiro trimestre. Uma iniciativa a replicar.

Smart 2020 Portugal: mais acção no “green”

O Relatório Smart 2020 Portugal acaba de ser divulgado pela APDC, no âmbito do Congresso das Comunicações’08. Um trabalho que resultou da iniciativa da Associação, com a colaboração do Boston Consulting Group, e que é o primeiro caso em todo o mundo de aplicação a um país em concreto do estudo global  Smart 2020, da Global eSustainability Initiative (GeSI), publicado em meados deste ano e que quantificou o impacto actual e potencial das TIC nas emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE). Não apenas em termos da pegada própria como do impacto potencial da aplicação massiva das TIC sobre outros sectores. O relatório português teve exactamente o mesmo objectivo. E as conclusões não foram muito diferentes. Há de facto na área da sustentabilidade ambiental uma nova potencial frente de negócios para o mundo das TIC e será com este sector que Portugal poderá cumprir os seus compromissos em termos de emissões de C02. Trabalho em conjunto, aposta na inovação, parcerias entre os vários sectores e as várias empresas, especialmente nas áreas com maior pegada de carbono. As alternativas são muitas e não há tempo a perder, pelo que o estudo sugere mesmo várias medidas a tomar neste âmbito do combate às alterações climáticas. O “call for action” da APDC está no terreno. Agora, urge obter resultados nesta área.

TIC permitem poupanças de 2,2 mil milhões

Mantendo-se a situação actual, Portugal nunca cumprirá os compromissos assumidos em termos de emissões de CO2 para 2012. Mesmo com as iniciativas de eficiência energética já em curso. Mas se for activado todo o potencial das TIC, através de várias iniciativas, é possível reduzir as emissões totais de GEE da economia em até 15%, (mais de dez vezes o impacto directo que o sector tem neste momento), possibilitando alcançar os objectivos já em discussão para 2020. As conclusões do Smart 2020 Portugal são claras: o potencial de redução de emissões estimado noutros sectores da economia por aplicação das TIC permitirá reduções de até 11,9 MtonCO2e, Ou seja, o equivalente a 2,2 mil milhões de euros em poupanças de custos com carbono e com energia, através da desmaterialização de processos e interacções e de aplicações ao nível das redes de transporte de energia, edifícios, transportes e dos motores e processos industriais.   O relatório liderado pela APDC aponta 3 áreas chave onde as TIC podem actuar no combate às alterações climáticas: nos sistemas de “Pagamento por Emissões e Gestão de Congestionamento Urbano” em transportes; nos sistemas de gestão da distribuição e consumo de energia eléctrica (Smart Grids); e nos sistemas de gestão inteligente de eficiência energética em edifícios. Só estas iniciativas permitem realizar 55% do potencial identificado. Para estas oportunidades, são apontados caminhos onde o desenvolvimento e implementação de soluções pioneiras que podem não só dar um contributo decisivo para a redução de emissões de GAE, mas também constituir soluções exportáveis que contribuam para o crescimento da economia numa base de baixa intensidade de carbono.

Replicar exemplos

Há uma multiplicidade de tecnologias já disponíveis. Há inovação. Há inúmeras experiências e casos de sucesso no âmbito da sustentabilidade ambiental tanto em Portugal como em termos internacionais. Há ganhos efectivos de reduções de CO2 e de aumentos de eficiência, onde as TIC assumem um papel estrutural. Monitorização do consumo de energia nas empresas e nos lares. Recurso a fontes de energias renováveis nos mais diversos sectores de actividade. Distribuição eficiente de electricidade. Utilização de tecnologias de virtualização e comunicação. Estes foram só alguns exemplos apresentados no Congresso das Comunicações, da APDC. Agora, é preciso replicar, replicar, replicar…

É preciso mudar mentalidades

Não restam dúvidas de que as TIC são o caminho certo e o mais eficiente para o combate às alterações climáticas. Tanto pela frente da redução das emissões de CO2 como pelo aumento da eficiência energética. Trata-se de um combate que é uma responsabilidade de todos e cada um de nós – entidades públicas, empresas e cidadãos – e que urge travar por todos os meios ao nosso alcance, de forma a não pôr em causa o futuro das próximas gerações. Muitas foram as afirmações e declarações ao longo dos três dias do Congresso das Comunicações’08. Mas todas levaram a essa conclusão. Há que avançar para novos paradigmas, com modelos de negócio completamente diferentes, mais inovadores, mais potenciadores da competitividade. E, neste momento de grandes transformações e desafios, mas também de grandes oportunidades, é preciso que ter uma abordagem integrada e uma verdadeira mobilização de todos. Com um enquadramento político e regulamentar claro e correcto para induzir estas transformações a todos os níveis, já que alterações climáticas não têm apenas graves impactos nos ecossistemas, na agricultura e no clima global, mas também ao nível social e económico. Numa altura em que se vivem dias difíceis com a crise financeira e económica que cresce todos os dias, é tempo de mudar. E todos somos motores de mudança.

Impressão ecológica excede capacidade do planeta

Se o Mundo mantiver o seu ritmo de consumo actual, precisará de dois planetas no início da década de 2030 para responder às suas necessidades. O alerta vem do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), que adianta que impressão ecológica da Humanidade – que avalia o consumo de recursos naturais – excede já 30% das capacidades do planeta para se regenerar. No seu relatório “Planeta vivo 2008”, o WWF adianta que a pressão da Humanidade sobre o planeta mais do que duplicou nos últimos 45 anos devido ao crescimento demográfico e ao aumento do consumo individual. Uma sobre-exploração que esgota os ecossistemas e os lixos acumulam-se no ar, na terra e na água. O desflorestamento, a penúria da água, o declínio da biodiversidade e o desregramento climático provocado pelas emissões de gases com efeito de estufa estão a pôr, cada vez mais, “em perigo o bem-estar e o desenvolvimento de todas as nações”.

Empresas europeias apostam pouco em TI “verdes”

As empresas europeias ainda estão pouco sensibilizadas para a adopção de iniciativas em TI ambientalmente sustentadas. Uma análise da IDC mostra que só 35% implementaram  iniciativas na área das TI “verdes” e só 16% planeiam adoptar este tipo de estratégias nos próximos 24 meses. A pesquisa revela que na Alemanha 51% das empresas já implementaram iniciativas desta natureza e no Reino Unido 47%. Já em países como a Holanda e a Espanha apenas um quinto das organizações adoptaram estas medidas. Quando se antecipa um crescente consumo energético por parte dos centros de dados, que deverá passar dos 40 TWh de 2007 para mais de 42 TWh este ano. Em 2007, os servidores europeus foram responsáveis por um consumo superior a 16,3 TWh, mais do dobro da energia utilizada para iluminar as ruas no Reino Unido. E mais de 1,6 mil milhões de euros foram gastos em electricidade para garantir o funcionamento dos servidores na Europa Ocidental. As empresas que adoptaram estratégias “verdes” nos seus departamentos de TI investem em média cerca de 7% dos seus orçamentos nesta área. 

UE procura acordo nas alterações climáticas

O consenso entre os 27 quanto ao plano europeu de combate às alterações climáticas está longe de ser alcançado. Um grupo de dez países, entre os quais a Alemanha e a Itália, acabam de contestar as linhas da estratégia de Bruxelas, que poderá estar em risco de não ser aprovado nos prazos previamente definidos por quer liderar o debate ao nível mundial. Mesmo assim, foi assumido o objectivo de se alcançar um acordo até Dezembro, altura em que arranca a conferência das Nações Unidas e onde será apresentada uma posição definida e clara na perspectiva das negociações internacionais que arrancarão em 2009 para a renovação do acordo mundial de protecção do clima – o Protocolo de Quioto – depois de 2012. Oficialmente, mantêm-se os objectivos definidos há um ano dos 20-20-20: reduzir as emissões de CO2 em 20% até 2020 face aos valores de 1990, aumentar as energias renováveis para 20% de total e melhorar a eficiência energética em 20%. A Itália e a Polónia já ameaçaram com o veto, com os italianos a defenderem uma alteração profunda na legislação proposta. Contra estão ainda a República Checa, Hungria, Estónia, Lituânia, Malta e Chipre, embora não tenham extremado tanto as posições. Mas é a Alemanha, apoiada pela Áustria, que se tem mostrado com um dos países mais críticos. Tudo porque de acordo com as propostas legislativas apresentadas, Bruxelas quer que partir de 2013 as indústrias pesadas da UE passem a comprar em leilão as licenças de emissão de CO2. O objectivo é reduzir este tipo de poluição em 21% em 2020 face aos valores de 2005. E, em paralelo, os países comunitários deverão reduzir conjuntamente 10% das emissões dos sectores excluídos do sistema de comércio de emissões – transportes, agricultura, aquecimento. A Alemanha quer a exclusão de uma série de sectores – aço, química, cimento, cal – do mecanismo do leilão, para preservar a sua competitividade internacional. E exigem aqui a atribuição de licenças de emissão gratuitas. A pouco mais de um mês da conferência, que arranca a 1 de Dezembro, em Posnan, na Polónia, a UE arrisca-se a aparecer sem um consenso.

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